A Polícia Civil do Pará (PC), em coletiva realizada no fim da manhã desta quarta-feira, 4, na Degacia Geral, em Belém, informou que uma discussão por causa de tráfico de drogas na comunidade indígena, localizada no interior de Tomé-Açu, teria motivado a tentativa de homicídio contra o cacique Lúcio Tembé, ocorrida no último domingo, 14. A conclusão foi obtida a partir de depoimentos de moradores da área que apontaram o desentendimento entre o indígena e o suspeito do crime, Juscelino Ramos Dias, mais conhecido pela alcunha “Passarinho”.

O degelado geral da Polícia Civil, Walter Resende, detalhou que, desde que tomaram conhecimento do fato, iniciaram as investigações para tentar identificar o responsável pelo disparo de arma de fogo que atingiu o líder indígena Tembé no rosto, no domingo passado. Ele relata que a polícia enfrentou dificuldades técnicas no começo, devido a área do crime, o ramal da Vila Socorro, no distrito de Quatro Bocas, não ter nenhum tipo de monitoramento eletrônico e ser de difícil acesso à rede de internet.

Delegado Geral da Polícia Civil detalha as circunstâncias do crime. (Carmem Helena / O Liberal)

Rezende conta que os depoimentos de moradores revelaram que Lúcio Tembé e Juscelino Ramos Dias discutiram horas antes do crime, porque o indígena teria tomado conhecimento de que Juscelino estava realizando tráfico de drogas na região e dentro da aldeia Turé-Mariquita, onde Lúcio é líder.

“A motivação foi o comportamento de Juscelino, pela atividade dele ali envolvendo o tráfico de drogas na comunidade. O cacique teria chamado atenção para que esse fato não ocorresse, o que teria motivado a discussão e, depois, à tarde, ocorreu o atentado. A informação é que Juscelino estivesse vendendo droga, aliciando os moradores da comunidade. O cacique teria chamado atenção dele para que essa prática não acontecesse”, pontua Resende.

A frustração pela tentativa de impedimento da sua atividade ilegal teria levado Juscelino a tentar contra a vida do cacique na tarde de domingo. A polícia ainda não pode afirmar se ele agiu sozinho ou acompanhado, mas há a suspeita de que possa ter tido mais pessoas no crime: “É possível que ele tenha agido na companhia de mais uma ou duas pessoas, mas a gente não pode afirmar, porque as investigações ainda são muito prematuras”, pondera o delegado.

O delegado geral conta, ainda, que Juscelino já era morador da comunidade há muitos anos, mas não soube precisar no momento quantos, mas que até então tinha uma convivência pacífica no local. Sem nenhuma atividade profissional definida, há a informação preliminar de que Juscelino vivia de plantações e outras atividades ribeirinhas. Ele também não tinha passagem pela Polícia por nenhum outro crime até então.

“Depois do atentado ao cacique, quando os depoimentos informaram o nome de Juscelino, ele não foi mais encontrado na área, o que levantou suspeitas. As buscas começaram e, na terça-feira, ele foi localizado em trânsito na cidade de Tomé-Açu, com indícios de que estaria em processo de fuga. Com ele, foi encontrada uma quantia de R$ 4 mil, que seria suficiente para ele dar prosseguimento à fuga”, comenta o delegado.

Juscelino segue preso na Delegacia de Tomé-Açu e, até o momento, responde apenas pelo crime de tentativa de homicídio. Quanto ao tráfico de drogas, o delegado pontua que o crime só será indicado após o aprofundamento das investigações, uma vez que nenhuma quantidade de drogas foi encontrada com o suspeito por ocasião da prisão. Mas que a situação também faz parte das investigações.

 

 

 

 

 

Fonte: ORM

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