Coluna do Marcel Nogueira: Parauapebas entrou no cheque especial

Nesta terça-feira pela manhã a prefeitura estava lotada até a tampa. Não era pra menos; finalmente as ordens de serviços para as obras de infraestrutura foram assinadas. Nos corredores do casarão do Morro dos Ventos tive a grata satisfação de encontrar alguns amigos. Entre um cumprimento aqui, uma discussão mais acalorada ali (principalmente quando o assunto era política), entre mortos e feridos se salvou todo mundo e o que é mais importante, todo mundo vai continuar amigo – pelo menos até a próxima discussão.

Entre amenidades e alguns lampejos de sabedoria, uma frase de um amigo muito querido ficou cravada na minha mente e antes que ela se vá para o subconsciente e de lá para o completo esquecimento resolvi reproduzi-la, classificando-a como uma das melhores pérolas dos últimos anos: “Parauapebas já entrou no cheque especial”, disse, taciturnamente.

O tom grave e enigmático, que o dileto amigo empregou é compartilhado por alguns estudiosos das coisas do município. O cheque especial referido equivale a observação de que estamos chegando ao fim de um ciclo e o que é pior, quase ninguém se dá conta de que o fim é o fim mesmo e pronto. The end. C’est fini. Quem bebeu, bebeu, quem não bebeu não bebe mais.

Quase todo mundo contempla placidamente as coisas aconteceram. Roma ameaçando pegar fogo e é um toca-toca de lira que vou te contar. Na verdade, há uma casta de gente que poderia fazer muito no sentido de organizar o município para encarar o tempo de vacas magras que se aproxima, com razoável chance de permanecer de pé e não faz absolutamente nada. Uns não fazem porque não querem. Porque o egoísmo não deixa entender que o futuro que se fala não é mais o dele e sim dos seus filhos, dos seus netos e por ai vai; há os mais alienados ainda que imaginam que quando as jazidas de ferro conhecidas se esgotarem, surgirão outras num estalar de dedos. Shazan!!! e a terrinha de muro baixo vai continuar nadando de braçada.

E há ainda os que ficam com as vastas mãos abanando, numa hipotética redoma financeira ou estrutural. Veja vocês que eles imaginam que mil cairão ao seu lado e dez mil à sua direita e ainda assim, não serão atingidos. Vão ser atingidos, sim. Aliás, eles e a terrinha de muro baixo porque redomas financeiras ou estruturais não existem.

Mesmo que se tenha um emprego público permanente, ou um bom patrimônio não há escapatória; todos sentirão na pele. Para quem tem emprego permanente, caso seja comprovado que o município perdeu receita e não consegue arcar com os custos da máquina, poderá haver demissões no futuro e o patrimônio, construído após anos e mais anos de trabalho pode virá pó, aliás sobre isso nem é preciso que a exploração termine. De cinco anos para cá, o valor venal dos imóveis caiu, bem como a atividade econômica do município, no mínimo 50%. Se agora já está ruim, imagine no futuro…

Recado final pra terminar, nesse processo ou se vai direto pro paraíso, ou se vai firme e forte pro inferno. Não há purgatório.

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