O avanço e a consolidação do Pix transformaram o Brasil no país com a menor dependência de dinheiro físico na América Latina. De acordo com a 11ª edição do relatório Global Payments Report 2026, as cédulas representaram apenas 12% do valor total movimentado nos pontos de venda (PDVs) brasileiros. O índice fica bem abaixo da média registrada em toda a América Latina, onde as notas de papel somaram 23% das transações, superando também a média global, fixada em 14%.
Atrás do mercado brasileiro na redução de cédulas aparecem o Chile, com 16% das transações presenciais, e a Argentina, com 17%. No polo oposto, países como Peru, Colômbia e México mantêm forte uso de dinheiro físico no comércio, registrando índices de 30%, 32% e 40%, respectivamente.
O estudo revela ainda que a América Latina lidera globalmente na opção de pagamento em dinheiro no momento da entrega de compras do e-commerce, modalidade com maior destaque no México, onde responde por 6% das vendas online.
AVANÇO DOS PAGAMENTOS INSTANTÂNEOS E CARTEIRAS DIGITAIS
A transformação do perfil de consumo no Brasil é impulsionada pela modalidade de pagamento conta a conta (A2A), liderada pelo Pix. O sistema respondeu por 42% do volume financeiro das compras no e-commerce e 34% das transações realizadas presencialmente nos estabelecimentos comerciais.
Outros países da região seguem caminho semelhante para modernizar suas redes financeiras. Na Argentina, o sistema Transferencias 3.0 ampliou sua fatia de mercado para 15% nas vendas online e 10% no comércio presencial. Na Colômbia, o banco central lançou o Bre-B, sua própria plataforma de pagamentos instantâneos.
Embora o uso de carteiras digitais na América Latina ainda permaneça abaixo dos índices internacionais — somando 23% das movimentações no e-commerce contra 56% na média mundial, e 16% nos pontos físicos contra 33% globais —, a modalidade apresenta forte ritmo de crescimento na região. Plataformas como Mercado Pago e PayPal, além de soluções regionais como Nequi (Colômbia) e Yape (Peru), vêm expandindo a presença no mercado latino-americano.

