A prefeita de Josemira Gadelha passou a enfrentar pressão do Ministério Público do Estado do Pará após o órgão apontar um número elevado de servidores temporários na estrutura da Prefeitura de Canaã dos Carajás.
Documentos apresentados no processo revelam que o município possui atualmente 3.086 servidores temporários, enquanto o número de servidores efetivos concursados é de 1.626. Os dados chamaram a atenção do Ministério Público porque o total de contratados supera significativamente o de concursados na administração municipal.
Na recomendação assinada pelo promotor Emerson Costa de Oliveira, o MP cobra da Prefeitura a apresentação de um plano para reduzir as contratações temporárias, estabelecendo prazo de 30 dias para que as medidas sejam detalhadas.
Segundo o órgão, a contratação temporária deve ocorrer apenas em situações excepcionais e transitórias, e não como prática permanente para manutenção da máquina pública.
Os números divulgados pela própria gestão municipal também evidenciam diferenças em setores considerados estratégicos:
Serviços Gerais: 429 contratados e 144 efetivos;
Educação Básica: 244 professores contratados e 179 concursados;
Enfermagem: 190 técnicos temporários e 103 efetivos.
Além da redução dos contratos temporários, o Ministério Público solicitou acesso a informações detalhadas sobre folha salarial, arrecadação municipal e distribuição de servidores entre as secretarias.
Nos bastidores políticos de Canaã dos Carajás, o tema já provoca desgaste e preocupação dentro da administração municipal, principalmente diante da possibilidade de avanço de medidas judiciais caso o MP considere insuficientas as justificativas apresentadas pela Prefeitura.
O caso reacende um debate antigo na cidade: até que ponto o município estaria se tornando dependente das contratações temporárias para manter o funcionamento da estrutura administrativa?
