Uma denúncia envolvendo a Secretaria Municipal de Segurança Pública Viária de Canaã dos Carajás, pasta que integra o governo da prefeita Josemira Gadelha (MDB), levanta graves questionamentos sobre a conduta do secretário municipal Crisley Morais. Ele é acusado de supostamente determinar a liberação de uma caminhonete Volkswagen Amarok que estava apreendida e possuía restrição judicial de circulação.
O episódio teria ocorrido no dia 20 de abril de 2026, após agentes municipais de trânsito abordarem uma Amarok prata, placa MXD0305, na Avenida Weyne Cavalcante. Durante a fiscalização, foi constatado que o último licenciamento registrado do veículo era de 2019, motivo pelo qual a caminhonete foi removida ao pátio municipal, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro.
Entretanto, a consulta cadastral revelou uma situação ainda mais delicada: o veículo possuía restrição judicial de circulação registrada no sistema RENAJUD, vinculada ao processo nº 0000440-18.2021.5.23.0091, da Vara do Trabalho de Mirassol d’Oeste, em Mato Grosso. O bloqueio havia sido registrado em agosto de 2024.

SECRETÁRIO TERIA INTERFERIDO NA LIBERAÇÃO
Segundo a denúncia, mesmo diante das irregularidades, o secretário Crisley Morais teria determinado a liberação da caminhonete no mesmo dia, sem comprovação da regularização do licenciamento ou apresentação de autorização judicial.
O relato também aponta que o beneficiário da suposta liberação seria uma pessoa próxima ao secretário, levantando suspeitas de favorecimento pessoal. Outra acusação é de que teria sido dada orientação para que a saída do veículo não fosse formalmente registrada no pátio municipal.
Caso confirmadas, essas condutas poderão resultar em responsabilização administrativa e investigação de possíveis crimes funcionais, incluindo prevaricação, corrupção passiva privilegiada ou advocacia administrativa, a depender das provas e das circunstâncias identificadas.
CASO ENVOLVE SECRETARIA DO GOVERNO JOSEMIRA GADELHA
A situação também exige esclarecimentos da administração municipal comandada pela prefeita Josemira Gadelha, uma vez que a secretaria envolvida integra a estrutura do Executivo.
Embora não exista, nas informações apresentadas, indicação de participação da prefeita na suposta liberação, cabe à gestão municipal garantir transparência e apurar eventuais irregularidades praticadas no âmbito de suas secretarias.
Outro detalhe chama atenção: uma consulta realizada em outubro de 2026 ainda apontava a existência da restrição judicial sobre a Amarok. A informação não comprova, isoladamente, uma liberação ilegal, mas reforça a necessidade de esclarecer em quais condições o veículo teria deixado o pátio.
MINISTÉRIO PÚBLICO DEVE SER ACIONADO
Diante da gravidade das alegações, o caso merece ser encaminhado ao Ministério Público do Estado do Pará e comunicado à Justiça do Trabalho, responsável pela restrição judicial.
A apuração deverá esclarecer quem autorizou a suposta liberação, se houve documentação regular, eventual favorecimento pessoal e possível interferência nos registros administrativos.
O secretário Crisley Morais e a Prefeitura de Canaã dos Carajás devem apresentar suas versões – o Portal Papo Carajás está aberto ao direito de resposta – se assim o houver.
A população de Canaã dos Carajás merece respostas. Afinal, a administração pública deve funcionar com transparência, responsabilidade e respeito às decisões judiciais, independentemente de quem esteja no comando.

