O vereador Ubirajara Sompré, de Marabá (PA), tornou público seu apoio ao pré-candidato Eugênio Gadelha, marido da prefeita de Canaã dos Carajás. A movimentação, por si só, faz parte do jogo democrático. O problema é que, paralelamente ao anúncio, surgiram nos bastidores informações sobre uma suposta negociação financeira envolvendo esse apoio. R$ 1 milhão: seria esse o preço do apoio do edil a campanha de Gadelha.
Até o momento, não há provas públicas que confirmem essa alegação. O vereador, em nota enviada à meios de comunicação, negou categoricamente qualquer recebimento de valores e afirmou que alianças políticas decorrem de diálogo e convergência de projetos. Ainda assim, a negativa não elimina o desgaste político provocado pelo episódio — especialmente quando o silêncio ou a falta de detalhes abre espaço para especulações.
É nesse ponto que o debate deixa de ser apenas sobre um apoio político e passa a ser sobre algo maior: a percepção pública. Na política, muitas vezes, não basta estar certo — é preciso parecer transparente. Quando a população não tem acesso às informações completas, ela preenche as lacunas com dúvidas. E dúvidas, quando não respondidas, se transformam em desconfiança.
A campanha de Eugênio Gadelha, ao que tudo indica, não demonstra grande preocupação com o custo político ou financeiro dessa construção. A movimentação é intensa, os apoios surgem com rapidez e a estrutura parece robusta. A impressão que se forma é clara: dinheiro, ali, não é o problema.
E isso levanta uma questão incômoda, mas necessária: quanto custa, afinal, um mandato? Não apenas em números oficiais de campanha, mas nos bastidores — nos acordos, nas alianças e nos compromissos firmados longe dos olhos da população.
O cidadão de Canaã dos Carajás assiste a tudo isso sem ter acesso ao que realmente sustenta essas decisões. E talvez nem imagine o tamanho do custo político envolvido. Não um custo que aparece em prestações de contas, mas aquele que se revela depois, como uma prefeitura praticamente “quebrada” por um bom tempo. Não se enganem canaenses, esse sonho de Ofélia vai custar caro?
