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    Portal Papo Carajás entrevista presidente do Metabase Carajás

    11/02/2026Sem comentários9 Mins Read
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    Raimundo Macarrão, presidente do Metabase Carajás
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    O Portal Papo Carajás realizou uma entrevista exclusiva com uma das maiores lideranças sindicais do Pará. Raimundo Nonato Macarrão, o Macarrão, está à frente do Sindicato Metabase Carajás, indústria na extração de minério em Marabá, Eldorado, Curionópolis, Parauapebas e Canaã dos Carajás, no estado do Pará.

    Ele contou sobre a criação do Metabase Carajás diante de uma grande necessidade da defesa dos direitos dos trabalhadores no início da década de 80.

    Papo Carajás: Como surgiu a organização do Sindicato Metabase Carajás?

    Macarrão: A organização do Metabase Carajás aconteceu logo com a chegada dos trabalhadores para iniciar a extração do minério de Carajás, nos anos 80. Começaram os testes da primeira lavra do minério de ferro. Em 1985, inauguramos a ferrovia e a maior usina de extração e beneficiamento do minério de ferro. Automaticamente, ao mesmo tempo, começamos a organização do sindicato, reunindo-nos com os trabalhadores. Recebemos a carta sindical das mãos do ministro Almir Pazzianotto.

    Papo Carajás: Quando você chegou a Parauapebas e entrou na vida sindical?

    Macarrão: Bom, eu cheguei a Parauapebas no dia 25 de julho de 1982. Fui trabalhar em uma empreiteira na condição de motorista e depois fiz o SENAI. Foi instalado o SENAI nas minas de Carajás, e ali eu fiz parte do primeiro grupo de alunos. Tínhamos alunos se formando em eletricidade, eletricistas fazendo curso para eletricista e outros para mecânica, e eu me inscrevi para elétrica. Após receber o diploma, fui contratado pela Vale em 18 de junho de 1985.

    Papo Carajás: E como entrou para a vida sindical? O que foi que te levou?

    Macarrão: Foi no evento da fábrica. Discutimos ali muitas necessidades dos trabalhadores. A gente precisava se estabelecer. Levávamos muitas reivindicações, debatendo entre nós os nossos direitos, a nova Constituição. Então, nós, na fábrica, debatíamos essa organização entre nós, essa preocupação com a organização sindical, uma vez que o sindicato que nos representava tinha a sede no Amapá. Isso fazia com que nos sentíssemos desprezados. Sentiu-se a necessidade de conversar com o patrão e nos organizar.
    Por exemplo, o nosso primeiro trabalho, quando a gente se organizou, foi negociar com a Vale um mapeamento de risco, participar do acompanhamento desse mapeamento, ver que tipo de agente, seja físico, químico ou biológico, a que estávamos sujeitos ali na mina. Precisávamos discutir a jornada de trabalho também.
    Foi uma série de reivindicações levantadas por nós dentro da mina, dentro da fábrica, e precisávamos estar organizados. Então, foi a partir dessa organização que começamos a questionar a empresa. Tivemos uma primeira ação coletiva, reivindicando o pagamento de horas extras. Tivemos, no nosso acordo, o direito de saber os agentes aos quais estávamos expostos, estabelecer jornada para quem trocasse de turno, jornada diferenciada e uma série de outras reivindicações. A partir daí, passamos a discutir com a empresa.

    Papo Carajás: O sindicato é muito importante para o trabalhador, mas como o Metabase Carajás é importante para a cidade de Parauapebas e a região?

    Macarrão: Bom, a importância do sindicato realmente não é só para o trabalhador, mas também para a sociedade e para toda a região. Por exemplo, todo benefício que a gente conquista para os trabalhadores, principalmente em termos de remuneração, a gente precisa perceber que esse dinheiro não fica só na mão do trabalhador. Ele acaba sendo gasto no meio da sociedade.
    Para se ter uma ideia disso, vamos pegar como exemplo a participação nos lucros e resultados que conseguimos para os trabalhadores. Todo ano tiramos uma parte do lucro das minas e dividimos entre os trabalhadores. Esse montante, só dentro da Vale hoje, levando em consideração que muitas vezes o trabalhador recebe acima de cinco ou seis salários e que temos um teto de até sete salários, quando se divide esse volume de dinheiro entre cerca de 16 mil trabalhadores, ultrapassa 300 milhões por ano na conta dos trabalhadores.
    Esse dinheiro entra na conta do trabalhador, mas ele gasta no comércio, nas clínicas, nos aluguéis, nas concessionárias de veículos, nas lojas em geral, pagando suas despesas. Então, esse dinheiro é espalhado no meio da sociedade. Isso é uma forma de o sindicato ajudar a combater as desigualdades sociais.
    Hoje, só o cartão de alimentação dentro da Vale movimenta mais de 16 milhões por mês. Esse dinheiro é gasto no comércio, nos grandes atacadistas e em outros setores. Temos também o plano de saúde dos trabalhadores, que gera serviço para clínicas e hospitais. Enfim, são inúmeros benefícios que o trabalhador recebe e que acabam beneficiando toda a sociedade, ganhos esses que vêm através da luta do sindicato Metabase Carajás.

    Trabalhadores Vale levantam a mão para aprovar o Acordo Coletivo Específico

    Papo Carajás: Na sua avaliação, quais as conquistas mais importantes para os trabalhadores representados pelo sindicato?

    Macarrão: Bom, conquista importante… quase todas são muito importantes, porque todas vêm através de muita luta. Mas ter a sua categoria com carteira assinada, com jornada estabelecida dentro da lei, saber os agentes físicos, químicos e biológicos a que o trabalhador está exposto, plano de saúde, são conquistas das melhores, muito importantes na vida do trabalhador.
    Participação nos lucros e resultados, programa de saúde e segurança para manter a saúde do trabalhador, evitar acidentes, dar bem-estar aos trabalhadores… tudo isso são conquistas de suma importância, que a gente consegue a fruto de muito esforço, de muito debate e de muita luta.

    Papo Carajás: As mulheres são uma boa parte da categoria mineral. Quais conquistas você julga importantes para as mulheres?

    Macarrão: Bom, os benefícios que conquistamos para os trabalhadores alcançam também as mulheres. Os mesmos direitos dos homens chegam para as mulheres também. Mas temos a clareza de que o ambiente onde a mulher passa a trabalhar, que antes era só de homens, precisa ser modificado para melhor.
    A mulher tem necessidades específicas, diferentes das dos homens. Por exemplo, em relação aos banheiros, é preciso ter banheiros mais organizados e em maior quantidade para atender às mulheres. Temos que ter nos nossos acordos o combate ao assédio moral, para dar tranquilidade a essas mulheres, para que não venham a ser molestadas dentro da mina.
    Temos que ter também uma jornada diferenciada para a mulher que vai amamentar. Ela precisa chegar em casa mais cedo, precisa ter um banco de leite materno, onde possa retirar o leite no horário certo, já que muitas vezes não pode levar até a criança. Ela pode guardar esse leite para depois levar para casa. Existe todo um cuidado específico que temos que ter com a mulher. Ela é diferenciada, precisa estar protegida, amparada, respeitada e reconhecida.
    Temos também estabelecido no acordo coletivo a creche para as mamães deixarem as suas crianças e terem a tranquilidade de saber que estão bem cuidadas. Temos o auxílio-creche. Aquela mãe que não tem creche perto da casa pode contratar uma empregada, a avó ou uma empresa, na condição de creche, para cuidar do filho. Temos essa verba garantida no acordo coletivo de trabalho.

    Papo Carajás: Qual o papel dos diretores do Metabase Carajás dentro das minas?

    Macarrão: É um papel muito importante. Além de fazer a função como trabalhador comum, ele também atua como fiscal dos trabalhadores, verificando sempre as condições de trabalho no tocante à saúde e segurança, jornada, alimentação, bem-estar psicológico e social.
    Ele combate o assédio moral, verifica se os acordos estão sendo respeitados e traz todas essas reivindicações e reclamações para o sindicato, que, em forma de ofício, comunica a empresa e passa a discutir as demandas dos trabalhadores.

    Papo Carajás: Sabemos que as conquistas do sindicato vêm através dos acordos coletivos de trabalho. São quantos acordos hoje?

    Macarrão: Temos vários acordos. O principal é o acordo coletivo de trabalho geral, dividido em três blocos: remuneração, saúde e segurança e questões sociais. Temos também acordo específico de jornada, transporte, prêmio de assiduidade (antigas horas in itinere), direito de recusa, combate ao assédio moral e outros aditivos.
    Todos esses acordos, depois de aprovados em assembleia e assinados, são hospedados no site do Ministério do Trabalho e também no site do Metabase Carajás: www.metabasecarajas.com.br

    Papo Carajás: Qual a opinião do Metabase Carajás sobre o fim da escala 6×1?

    Macarrão: Bom, essa escala 6×1 já era para ter acabado há muito tempo. Ela leva o trabalhador à exaustão. O trabalhador precisa de descanso, de tempo para a família, para a vida social. Essa escala isola o trabalhador, suga suas forças e acaba jogando o trabalhador exausto para o Estado cuidar depois.

    Papo Carajás: Qual a área de abrangência do sindicato?

    Macarrão: O sindicato Metabase Carajás representa os trabalhadores da indústria da extração mineral em Marabá, Eldorado, Curionópolis, Parauapebas e Canaã dos Carajás, no estado do Pará.

    Papo Carajás: Os trabalhadores representados pelo Metabase Carajás recebem participação nos lucros e resultados do minério extraído?

    Macarrão: Sim, com certeza. Nós temos hoje um acordo coletivo de PLR, Participação nos Lucros e Resultados, das empresas que extraem minério em nosso município. Então, as empresas que vêm hoje extrair minério dentro do nosso município, via indústria, todas elas que vêm negociar conosco, nós colocamos em pauta para que elas dividam parte desse lucro anual e venham repartir uma parte entre os trabalhadores. Nós tivemos um avanço significativo nessa parte. Começamos nos anos 90, depois das medidas provisórias, que mais tarde foram transformadas na Lei 10.101/2000. A gente começou com um salário, dois salários, alguma coisa assim, e avançamos bastante. Hoje nós temos acordo com empresas como a Vale, onde conseguimos estabelecer um teto máximo de até sete salários-base, salário de carteira, para cada trabalhador, dependendo dos resultados das metas estabelecidas. E isso nós já conseguimos, inclusive, ultrapassar seis salários de carteira para cada trabalhador. Dentro da Vale, por exemplo, nós temos mais de 16 mil trabalhadores atuando em cinco municípios, extraindo minério. Tiramos um volume anual que ultrapassa 300 milhões de reais, e esse valor é dividido entre os trabalhadores, que recebem de acordo com a sua área, com o seu painel de metas. Isso varia de quatro até seis salários, podendo chegar ao teto máximo de sete salários. Em média, fica entre cinco e seis salários, dependendo de cada mina. Esse dinheiro entra no bolso do trabalhador e, logo em seguida, ele leva esse recurso para o comércio, fazendo com que esse dinheiro circule e seja gasto na sociedade em geral.

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