A população de Canaã dos Carajás precisa abrir os olhos — e o bolso. Está se desenhando, diante de todos, uma movimentação silenciosa, calculada e ambiciosa: a tentativa de lançar Eugênio Gadelha, o “picolé de chuchu” da política local, rumo a uma cadeira na Assembleia Legislativa do Pará. Esposo da prefeita Josemira Gadelha, o atual secretário de obras parece ser o nome escolhido para dar continuidade ao poder político da família. Mas a pergunta que ecoa pelas ruas e grupos de WhatsApp é uma só: quanto vai custar essa brincadeira?
Nos bastidores, fala-se em alianças estratégicas, costuras políticas e promessas generosas de apoio financeiro. Há até quem comente que certos deputados estaduais estão dispostos a abrir mão da reeleição em troca de um “apoio logístico” vindo da bilionária Canaã. E quando se fala em Canaã, o cheiro de royalties vem junto — afinal, é desse cofre que muitos sonhos (e campanhas) parecem se nutrir.
Mas o eleitor precisa pensar: enquanto bairros inteiros enfrentam dias sem água, com luzes piscando e buracos nas ruas, o que se planeja nos gabinetes é a expansão de um projeto político familiar. A cidade que já sofre com o peso da desigualdade pode, mais uma vez, ver seu dinheiro escorrendo pelos dedos em nome da “continuidade”.
O fato é que uma campanha para deputado estadual não é barata. Envolve estruturas, lideranças “motivadas” e uma boa dose de marketing para transformar um nome sem brilho em um representante popular. E é aí que mora o perigo: quanto mais apagado o candidato, mais caro o holofote.
Canaã pode estar prestes a testemunhar o nascimento de um novo capítulo da velha política — aquela em que o poder não se conquista pelo mérito ou pelo trabalho, mas pela conveniência e pelo controle de cofres públicos. O risco é grande: ver a cidade se transformar em um trampolim de interesses pessoais enquanto os problemas reais continuam sendo varridos para baixo do tapete vermelho da campanha.
No fim das contas, a dúvida que fica é: Eugênio Gadelha vai representar Canaã ou apenas herdar o poder de Josemira Gadelha?
Porque, se o futuro político da cidade depender de um projeto de manutenção de poder, o preço — pago com dinheiro e esperança do povo — pode ser alto demais.
