O Portal Papo Carajás esteve circulando pela movimentada Canaã dos Carajás recentemente. Apesar do alto índice de aprovação de Josemira Gadelha, os bastidores políticos, ao que tudo indica, estão longe de serem tão tranquilos quanto aparentam.
Informações obtidas apontam que alguns vereadores e lideranças demonstram insatisfação com a forma como vêm sendo tratados pelo governo municipal. Trata-se da velha dinâmica da política: para que a relação entre Legislativo, Executivo e lideranças funcione bem, dificilmente há espaço para unanimidade em torno do chefe do poder.
A postura considerada por alguns como excessivamente confiante da gestão pode acabar prejudicando a já desafiadora caminhada de Eugenio Gadelha na tentativa de se eleger deputado estadual pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Como diz o paraense: “Mano, lá só tem cobra criada”.
Além disso, parte dos aliados da gestão em Canaã parece desconfortável com o inchaço da chamada “folha de campanha”, resultado de articulações políticas feitas em Parauapebas. Os Gadelha vêm agregando diversas lideranças políticas do município — muitas delas de peso — na tentativa de conquistar uma fatia significativa dos votos da chamada Capital do Minério, em favor do “Picolé de Chuchu”.
Outro ponto que chama atenção é o descontentamento de alguns empresários locais. Relatos indicam que contratos que antes giravam em torno de mais de R$ 120 milhões hoje não ultrapassam a casa dos R$ 30 milhões. Diante disso, surgem questionamentos inevitáveis: para onde estão sendo direcionados esses recursos? De uma coisa esteja seguro, não se trata de cortar gastos para responsabilidade fiscal. Mas isso a gente vai revelar pra vocês em outro texto.
Ainda vamos esmiuçar o fato de que apoiadores mal conseguem acesso ao grupo que vai gerir a campanha. É um salto alto sem fim para quem quer ganhar uma política que é melindrosa e requer bom tato para se lidar.
Fica o alerta: a tentativa de eleger Eugênio Gadelha pode cobrar um preço alto — não apenas nas urnas, mas na própria sustentação política do grupo. A gestão de Josemira Gadelha precisa compreender que política não se faz apenas com números e aprovação popular, mas também com respeito, diálogo e lealdade com quem ajudou a construir o projeto. O distanciamento de aliados e a postura de superioridade com apoiadores podem minar, de dentro para fora, uma base que já dá sinais de desgaste. Em um cenário onde vaidade e descuido começam a falar mais alto, o risco não é apenas perder espaço — é abrir caminho para que a própria base se torne oposição silenciosa. E, como se sabe, é esse tipo de movimento que costuma definir o jogo antes mesmo da votação.
