O Ministério da Educação (MEC) divulgou nesta segunda-feira (19) os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e três cursos de medicina do Tocantins foram reprovados, ao obterem nota 2, considerada insatisfatória pelo sistema de avaliação. Os cursos afetados são da Universidade de Gurupi (Unirg) e das faculdades do grupo Afya, nos municípios de Araguaína (Unitpac) e Porto Nacional (Itpac). A nota máxima do exame é 5.
Ao todo, 351 cursos de medicina participaram da avaliação em todo o país. Desses, 107 ficaram nas faixas 1 e 2, o que caracteriza reprovação. Entre eles, 24 obtiveram conceito 1, o mais baixo da escala, e 83 ficaram com conceito 2. Do total de cursos reprovados, 99 estarão sujeitos a sanções, já que instituições estaduais e municipais — como é o caso da Unirg — não estão sob a gestão direta do MEC.
Expansão do curso da Unirg
Apesar do desempenho insatisfatório no Enamed, a Universidade de Gurupi (Unirg) obteve recentemente a autorização para a abertura de um novo curso de medicina em Colinas do Tocantins, com 60 vagas, conforme decisão do Conselho Estadual de Educação do Tocantins (CEE-TO) e do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos). Atualmente, a instituição já oferta o curso de medicina nos campi de Gurupi e Paraíso do Tocantins.
O QUE DIZ A UNIRG?
“A Universidade de Gurupi – UnirG reforça que o resultado obtido pela Instituição, no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes da Área Médica (Enamed), correspondente ao Conceito 2, trata-se de um instrumento avaliativo inaugural, cujo desenho metodológico e indicadores passam por processos de validação, consolidação e amadurecimento no âmbito do sistema educacional.
A UnirG reconhece o referencial que constitui o Enamed e assegura que já se encontra em processo de qualificação metodológica, com foco na atualização de estratégias de ensino-aprendizagem, que dialoguem de forma mais direta com o modelo adotado pelo Exame.
O objetivo da UnirG é utilizar os dados produzidos pelo Enamed como ferramenta de aprimoramento contínuo, respeitando-se a autonomia universitária e o projeto pedagógico do curso.
A Universidade de Gurupi reafirma o compromisso pela busca da qualidade de excelência do ensino e continua contribuindo e colaborando para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.”
Enamed
Criado para avaliar anualmente a qualidade da formação médica no Brasil, o Enamed é aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As penalidades previstas variam conforme o desempenho. Cursos com conceito 2 ficam impedidos de ampliar o número de vagas e perdem a autorização para firmar novos contratos do Fies e do Prouni. Já as instituições que receberam nota 1 poderão sofrer medidas mais severas, como redução de vagas a partir do primeiro semestre de 2026, podendo chegar, em último caso, ao cancelamento do vestibular.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que as instituições terão prazo para apresentar defesa e reforçou que o objetivo da avaliação é garantir a qualidade do ensino médico no país. “É uma maneira da instituição se aperfeiçoar. É um instrumento para que a gente possa fazer as instituições corrigirem e ter um ensino de qualidade. É uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”, declarou.
Reação do setor privado
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) criticou a condução do MEC e do Inep na aplicação do Enamed. A entidade afirmou haver “profunda preocupação” com o uso do exame, especialmente por se tratar da primeira edição.
Segundo a Abmes, é “grave” atribuir ao Enamed efeitos punitivos severos, como restrição de vagas e impedimento de novos ingressos, sem período de transição ou validação progressiva dos critérios. A associação defende que os resultados de 2025 sejam tratados exclusivamente como diagnóstico inicial, voltado ao aperfeiçoamento das próximas edições do exame.
