MP do Pará recebe primeira denúncia contra João de Deus

 

O promotor de Justiça e coordenador do Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (NEVM), Sandro Garcia de Castro, recebeu na manhã desta segunda-feira (17), a primeira denúncia de uma vítima paraense do médium João de Deus.

A vítima tem pouco mais de 30 anos e teve sua identidade preservada em função da denúncia. Em seu depoimento ela disse que sofreu assédio do médium em 2017 durante uma visita à casa Dom Inácio de Loyola, localizada na cidade de Abadiânia, onde o médium João de Deus realizava atendimentos espirituais. De acordo com a vítima, o médium argumentou que sentia que havia algo errado com ela e que a mesma precisava de atendimento individualizado.

Ela foi levada para uma sala e quando percebeu o que estava acontecendo interrompeu o médium e conseguiu sair do recinto. Constrangida, preferiu se preservar e preservar a família, por isso não denunciou o caso. “Ela revelou que ficou com medo da reação do médium, que é uma pessoa influente e de poder econômico. Mas, ao perceber que não era a única vítima resolveu procurar o Ministério Público”, disse o promotor Sandro Garcia, que tomou o depoimento da denunciante.

O promotor destacou que os relatos da vítima paraense são condizentes com os das demais mulheres que denunciaram João de Deus. Ela relatou, ainda, que já era frequentadora do centro espírita há alguns anos. A primeira vez que esteve em Goiânia foi em busca de atendimento para um parente que estava adoentado, e depois continuou frequentando o local até 2017, quando sofreu o assédio. O promotor Sandro Garcia esclarece que o Ministério Público do Pará não tem atribuição para atuar especificamente no caso em razão dele ter ocorrido em outro Estado. Porém, está irmanado com a força-tarefa do Ministério Público Estadual de Goiás no intuito de obter o máximo de provas possíveis e encaminhá-las para a instância que apura o caso.

“Inclusive, a vítima que procurou o MP declarou ter conhecimento da existência de outras mulheres que sofreram o mesmo assédio do médium. Os relatos nesse sentido vieram de pessoas que participam de grupos espíritas. A vítima crê que elas estejam temerosas e constrangidas, o que é perfeitamente compreensível, mas é importante destacar que todas as denúncias serão mantidas em total sigilo. As vítimas podem vir tranquilamente ao MP que serão atendidas no mais absoluto sigilo”, garantiu o promotor.

Serviço: Pessoas que foram vítimas do médium podem procurar o Núcleo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher do MPPA, que funciona das 8h às 14h. O NEVM está localizado na Rua Ângelo Custódio, nº 85, entre as ruas Joaquim Távora e João Diogo.

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