Minério pode ir a US$ 100 com expansão de problemas da Vale

 

O mercado de minério de ferro está enfrentando um choque de oferta, enquanto os problemas se acumulam para a Vale.

Após o desastre no mês passado, a empresa sinalizou a perda potencial de cerca de 70 milhões de toneladas de produção anual e declarou força maior em alguns contratos, embora afirme que parte da lacuna pode ser compensada.

A cascata de eventos impulsionou os preços do minério de ferro, solapou a ação da Vale e deu suporte para as ações de produtores rivais.

No último revés, a licença da Vale para operar uma barragem vital para a produção em uma de suas maiores minas, Brucutu, foi revogada por um regulador estadual. Isso significa que a reinicialização da operação no local passou a ser condicionada à derrubada de uma liminar judicial quanto ao restabelecimento da licença da barragem.

Reação e comentários de mercado seguem. Todos os horários são Cingapura.

Usinas enfrentam custo mais elevado; demanda é chave (03:03)
Para Takeshi Irisawa, analista do setor siderúrgico da japonesa Tachibana Securities, os problemas da Vale “emergiram como um novo risco, colocando pressão sobre os lucros das siderúrgicas”. Ele previu que os custos do minério de ferro provavelmente subirão no próximo trimestre, mas deu um alerta sobre a importância relativa desse movimento.

Uma preocupação maior para usinas é equilibrar preços dos produtos siderúrgicos em meio a atritos comerciais, disse Irisawa em entrevista. Mesmo que o minério de ferro atinja US$ 100 a tonelada, provavelmente não permanecerá nesse patamar por muito tempo, já que as mineradoras aumentarão a oferta, enquanto a demanda mundial por aço não é tão forte, segundo Irisawa.

Prepare-se para um pico de US$ 100/ton, diz CBA (11:40)

A tentativa da Vale de fazer com que a produção de Brucutu voltasse a funcionar ficou ainda mais difícil, dada a revogação da licença da barragem, de acordo com o Commonwealth Bank da Austrália, que reafirmou sua previsão de que preços podem agora atingir US$ 100/ton.

“O esforço legal adicional para a Vale reiniciar a produção normal em Brucutu significa que o pico de preço do minério de ferro pode durar semanas”, disse em nota de 7 de fevereiro. A última vez em que preços à vista de referência atingiram 3 dígitos foi em 2014.

WoodMac vê minério a US$ 80 se Vale perder 50 mi/ton (09:44)
Enquanto a situação no Brasil permanece fluida, a Wood Mackenzie fez algumas análises preliminares para ver o patamar em que o minério de ferro pode chegar.

Com base em uma suposição de que a empresa perde 50 milhões de toneladas de produção no total este ano, os preços podem ser sustentados em torno dos US$ 80, segundo analista Rohan Kendall em um email. Antes dos problemas da Vale, a WoodMac via US$ 67 este ano.

A perda bruta de 50 milhões de toneladas leva em conta 30 milhões de toneladas da mina de Brucutu, mais uma redução líquida de 20 milhões de toneladas de um corte planejado de 40 milhões de toneladas. “Em última análise, o impacto dependerá de quanto tempo a mina de Brucutu está fechada”, acrescentou, observando que a Vale está recorrendo da suspensão.

Goldman espera produção maior de outros mineradores (8:52)
O Goldman Sachs diz que, dada a dificuldade de fornecimento da Vale, outras mineradoras provavelmente vão entrar em cena com produção adicional, e essa nova oferta ajudará a puxar o minério de ferro de volta para baixo em 2019.

“Qualquer alta sustentada de preços provavelmente desencadeará respostas de oferta”, levando o preço a terminar o ano abaixo dos níveis atuais, disse o banco em nota recebida na quinta-feira.

Ainda assim, o maior impacto provavelmente será visto no mercado de pelotas, acrescentou. Os preços de referência do banco são de US$ 80 a tonelada em três meses, US$ 70 em seis e US$ 65 em 12 – isso não mudou em relação à perspectiva apresentada em relatório na semana passada.

Mineradoras australianas prolongam rali (8:00)
As dificuldades da Vale irão beneficiar os principais rivais da empresa, e suas ações ampliaram os ganhos em Sydney na quinta-feira. Rio Tinto, a segunda maior produtora de minério de ferro, subiu até 2% e foi negociada no nível mais alto desde 2008.

No ano, as ações da Rio avançaram 18%. Fortescue subiu 4%, enquanto BHP, a maior mineradora do mundo, também avançou.

 

 

Fonte: Infomoney

 

Comments

comments

Login

Welcome! Login in to your account

Remember me Lost your password?

Lost Password