A mãe e o bebê que sofreram este domingo com um trabalho de parto ocorrido na calçada do Hospital Ordem Terceira, na Campina, em Belém, sem que o atendimento inicial tivesse sido dado, estão sendo atendidos no próprio hospital e passam bem, confirmou esta manhã a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), durante uma visita realizada ao local pelo secretário municipal de saúde, Sérgio Amorim Figueredo. O titular da Sesma foi esta segunda-feira (18) ao local para uma reunião onde tomou pé sobre o ocorrido. A Sesma diz que mandou apurar o caso – e confirmou que medidas podem ser tomadas frente ao contrato do município com a instituição particular, que mantém atendimento público pelo Sistema Único de Saúde.

“Em nome do Prefeito de Belém e da secretaria [de saúde], viemos aqui garantir assistência à mãe e à criança”, disse o secretário municipal de saúde Sérgio Amorim à porta do hospital. O Conselho Regional de Medicina (CRM-PA) e também o Ministério Público do Pará apuram o caso.

“O parto não estava marcado. Segundo a família, a mãe havia marcado um atendimento para o dia 21, para um médico que não é prestador de serviços nosso, e ela entrou em trabalho de parto de sábado para domingo, quando se dirigiu para cá e aconteceu lamentavelmente o que todos já sabem. Nós estamos apurando o que ocorreu. Já determinei apuração para que possamos saber o que foi que aconteceu”, detalhou o secretário municipal de saúde. “O hospital é privado e presta serviço à população pelo SUS. Nós temos um contrato. Dependendo do que realmente ocorreu, a secretaria irá tomar providências”.

Sem médicos

“Não havia nenhum médico”, relatou Dona Ana Lúcia, mãe da jovem que teve o bebê e acompanhava o pedido de atendimento. “Quando nós viemos, eu saí gritando…. mas não adiantou. Eles só vieram depois que ela já tinha tido a criança. Acho que foi quase uma hora deitada no chão esperando. Nínguém aparaceu para ajudar. Só depois”.

Quando a família anunciou, à porta do estabelecimento, que a jovem estava em trabalho de parto, a reação teria sido nenhuma, disse Dona Ana Lúcia. “Eles não falaram nadinha. Só que não iriam atender e que não tinham leito nem médico”. A informação teria sido dada por um vigilante. Nenhuma pessoa da equipe médica foi atender a gestante, denuncia a família. “Eu fiquei desesperada. Viemos para esse hospital porque era mais perto”, contou a avó do bebê, confirmando que a outra opção era a Santa Casa de Misericórdia – mas a família do Jurunas optou pelo acesso mais ágil a atendimento, frente às dores do trabalho de parto.

A mãe da criança que nasceu na calçada tem 21 anos e também mora no Jurunas. O bebê é seu terceiro filho. Segundo confirmou a Sesma, a gestante fez todo seu pré-natal em uma unidade pública de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde também disse que essa é a primeira vez que algo do gênero acontece durante o contrato da secretaria municipal com o Hospital da Ordem Terceira.

Em nota divulgada à imprensa este domingo (17), o Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM/PA) confirmou que também está apurando o ocorrido. “Ressaltamos que todas as denúncias que chegam ao conhecimento do CRM-PA são apuradas, sempre em conformidade com o Código de Processo Ético Profissional, observando rigorosamente o sigilo processual e o direito à ampla defesa e ao contraditório”, disse o CRM-PA. A redação de O Liberal também entrou em contato por telefone com o hospital particular no próprio domingo para apurar o fato. Na ocasião, a instituição inicialmente informou desconhecer o caso.

A redação integrada de O Liberal segue entrando em contato com a direção do hospital para obter mais detalhes sobre o ocorrido e sobre as providências que estão sendo tomadas. Acompanhe.

 

 

 

 

Fonte: ORM

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