Diplomatas brasileiros trocam tapas e socos em aeroporto

 

Os socos e tapas no Aeroporto Internacional de Viru Viru, na Bolívia, foram o desfecho de um complicado relacionamento no ambiente de trabalho. Os personagens da história são dois importantes diplomatas que ocupavam cargos no Consula-Geral do Brasil, em Santa Cruz de la Sierra.

Nas imagens gravadas pelo sistema de monitoramento é possível percebe José Augusto Silveira de Andrade Filho, antigo cônsul-geral, que está de branco, leva um tapa e depois desfere um golpe em Sóstenes Arruda de Macedo, que já foi cônsul adjunto, e que aparece de camisa preta.

Sóstenes aparece dando um tapa no celular do colega de trabalho, que segurava o aparelho. Augusto, revida com um soco. Os dois continuam discutindo enquanto o dono do telefone pega o objeto no chão. Logo em seguida, depois de ter sido chamado, um funcionário do aeroporto aparta a briga.

A Justiça foi acionada pelos dois lados. Sóstenes, inclusive, levou ao Ministério Público da Bolívia o caso.

HISTÓRICO

 Andrade Filho teve a indicação aprovada pelo Senado Federal no último dia 27 de novembro  e foi nomeado no dia 28 de dezembro embaixador do Brasil na Namíbia a partir de fevereiro deste ano. Macedo, por outro lado, não ocupa mais o cargo e respondeu a dois processos administrativos disciplinares.

“Eu fui falar com ele [Augusto]. Ele puxou o celular para me filmar e estava muito nervoso. Bati na mão dele para o celular cair. Quando caiu, ele me deu um soco. Quando me recompus, meu ímpeto foi de imediatamente reagir, mas me lembrei que estava no exterior, em local público, diante de câmeras”, descreveu Sóstenes.

ITAMARATY

O Itamatary foi procurado pelo Metrópoles duas vezes. Na primeira, informou que ambos os envolvidos não estavam a serviço na ocasião das imagens e disse que não havia sido comunicado oficialmente sobre o fato. Na segunda, quando a reportagem já tinha conseguido acesso ao vídeo, o Itamaraty não respondeu se providências seriam tomadas em relação à situação.

Sóstenes, que, além de diplomata, é padre, alega que sofria assédio moral quando era subordinado a Augusto. “Estou num processo de linchamento pessoal e profissional. Foram mais de três anos de reiterado espancamento moral e administrativo”, afirmou.

A principal razão para os desentendimentos teria sido, segundo ele, a não execução de orçamento disponível para alimentação de presos brasileiros em Santa Cruz de La Sierra entre 2016 e 2017. “Eu conhecia os presos pelos nomes e entregava as cestas pessoalmente. Os presídios bolivianos são sucursais do inferno. Ele [Augusto] não executava nem se empenhava em fazer pedidos para novos recursos”, disse.

Sóstenes denunciou a atitude de Augusto, então cônsul-geral, ao Ministério Público Federal. Depois disso, afirma ter sofrido retaliações no consulado. “Ele tirou sala, tirou telefone, tirou computador, tirou jornais, tirou estacionamento e tirou funções. Depois de um processo judicial, cumpriu uma liminar e devolveu as coisas, mas as funções não foram devolvidas”, contou.

Um dos processos administrativos abertos no Ministério das Relações Exteriores contra Sóstenes diz respeito a um atentado contra a vida, mas ele nega que tenha cometido o ato. “Uma coisa absolutamente fraudulenta, com inúmeras violações de direito de defesa. O próprio cônsul-geral prestou depoimento e escolheu testemunhas”, disse.

Sobre isso, o Itamaraty respondeu que há dois processos administrativos abertos que investigam o servidor, mas eles correm em sigilo.

 

 

(Com informações do Portal Metrópoles)

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