Demolidor lembra dos dias que passou fome em momento de consagração de nocaute

 

São quase mil quilômetros de distância entre Belém e Tucumã, no sudeste paraense. Se para um atleta da capital viver do esporte não é nada fácil, imagina quem está longe do centro. Conquistar um patrocínio é o caminho tranquilo para continuar a ascensão profissional, porém, o mais difícil, já que não é nada fácil conseguir apoio no esporte, principalmente na luta.

Michel Pereira, o Michel ‘Demolidor’, ganhou mais um apelido: “Paraense Voador”. E faz jus aos dois. Com performances dignas de espetáculos, o lutador estreou no UFC com nocaute. Mas teve também joelhada, cambalhota, bicuda e dança. Características que não víamos há muito tempo nesses eventos.

“Esse estilo de luta vem desde quando comecei, eu tentava fazer coisas diferentes, como dançar. Eu gosto disso, gosto desse tipo de apresentação. Como já fiz aulas de dança, juntei ao boxe, muay thai, jiu jitsu, entre outros. A inovação veio de mim mesmo, é o meu estilo”, explicou.

 

 

Bastante criticado por isso, Demolidor não ligou para as pessoas e resolveu deixar a sua marca na luta. Ele chegou a revelar que muitas pessoas, incluindo seus professores, não acreditavam no seu estilo e muito menos que ele levaria isso para o UFC. Então, o paraense nocauteou o veterano Danny Roberts em apenas dois minutos, na sua estreia no UFC Rochester, com tudo que o expectador tem direito.

 

“Sempre fui muito criticado. Não tive apoio dos meus professores, mas sempre sabia o que queria e o caminho que queria percorrer. Esse estilo é meu, é uma coisa que é minha”, destacou.

 

O público com certeza prefere esse estilo de luta mais espetacular, afinal, com preços caros dos bilhetes, o UFC é muito mais que um evento esportivo. “Quando começou o MMA tinha mais show, éramos acostumados a amanhecer vendo as lutas. Hoje isso está acabando. Os atletas querem subir no octógono e finalizar, só pensam neles, eu não, penso também no público que está assistindo, penso nos meus fãs. Claro que eu quero ganhar, mas isso é uma consequência, luto para dar o show ao público. Ninguém vai ver uma luta minha chata, eu vim para dar show”, explicou o paraense.

Hoje, após o nocaute e o UFC apresentar o Demolidor ao mundo, o paraense não esquece o caminho percorrido até chegar na organização, nem os dias que chegou a passar fome.

“Cheguei a passar fome e a dormir em lugares inabitáveis, como oficinas cheias de ferramentas, em ambientes sem janelas ou portas, no frio, coisas desse tipo. Mas Deus vai colocando pessoas na nossa vida que vão nos ajudando”, contou.

Demolidor disse que às vezes comprava uma quentinha por dia para dividir entre o almoço e o jantar para poder se alimentar. Ele complementava as refeições com farinha, ovo e banana. Em outras ocasiões, ele e mais um amigo esperavam a pizzaria de um amigo abrir à noite para se alimentarem.

 

“No Brasil é muito difícil a vida de um atleta. Apoio e patrocínio são coisas complicadas de conquistarem. Quando foi cortado o patrocínio da Prefeitura de Belém eu pensei em desistir da vida de lutador, mas encontrei uma pessoa que apostou em mim. Como disse, Deus colocou na minha vida grandes pessoas”, contou emocionado.

Agora Demolidor aguarda a próxima luta, sem perder o foco, claro, mas aproveitando seu período de xodó do UFC. “Está tudo perfeito. Os fãs vêm falar comigo, do meu trabalho, as pessoas de todo o mundo. Assim que vejo o meu reconhecimento profissional. Ninguém acreditava em me ver lutar do jeito que eu fiz no UFC, pensavam que eu fazia aquilo só em eventos pequenos, mas eu mostrei que não. Provei que é possível dar show”, finalizou.

 

 

 

 

(Bruna Dias/DOL)

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