Até 600 pessoas ainda morrem por ano com Aids no Pará

No Pará, 40% dos casos novos de infecção pelo vírus HIV se concentram na população transexual, atesta a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). É um público evidentemente vulnerável e que vem sendo foco de campanhas – embora já seja notório que não há grupo algum, nem identidade de gênero, nem opção sexual que configure grupo de risco frente ao vírus.

Em relações homoafetivas, os homens são os mais vulneráveis. Já em relações heteroafetivas, há mais casos novos em mulheres. Nestes casos, há um destaque na falha de prevenção entre homens. O contato sexual sem preservativos ainda é, disparadamente, a principal fonte de transmissão do vírus HIV. Os casos novos ocorrem, principalmente, na faixa etária de 20 a 49 anos. Um público relativamente jovem, geralmente com mais acesso. Esse perfil é baseado em informações da Sespa.

DIAGNÓSTICOS AVANÇAM

Deborah Crespo, coordenadora estadual de IST / Aids da Sespa, diz que há muitos avanços no diagnóstico, mas o preconceito (incluindo dos próprios pacientes), a vergonha e falta de compromisso com um tratamento que vai durar a vida toda, levam a índices ainda insatisfatórios de mortalidade.

Anualmente, no Estado, entre 500 e 600 pessoas morrem por complicações da Aids. O descuido com a prevenção e a falta de informação ainda são geradores de uma quantidade de casos novos que permanece preocupando a saúde pública.

Em 2017, aponta a Sespa, 1.797 adultos e 15 crianças foram diagnosticados com o vírus HIV no Pará. Todos iniciaram tratamento pelo SUS. No mesmo período, outros 798 adultos e 14 crianças manifestaram os sintomas da Aids, composta por um quadro de enfermidades ocasionadas pela perda das células de defesa em decorrência da infecção pelo vírus HIV.

ATENÇÃO À SAÚDE

De janeiro e julho deste ano, a Sespa registrou que 697 adultos e seis crianças foram diagnosticados com o vírus HIV e já estão em tratamento. Ainda nos primeiros sete meses deste ano, 307 adultos e quatro crianças desenvolveram os sintomas da Aids. Ao todo, estão disponíveis no Pará 74 Centros de Testagens e Acolhimento (CTAs).

Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) mostram que, de janeiro a abril deste ano, 353 pacientes (170 mulheres), precisaram ser internados para conter o avanço das sequelas da Aids em hospitais de média e alta complexidade no Pará. Estes fazem parte do universo de aproximadamente 10 mil pessoas, entre adultos e crianças, que fazem tratamento para HIV/Aids no Pará por meio de uma rede de serviço própria para o trabalho de prevenção e para o monitoramento dos pacientes soropositivos.

CASOS

Os 10 municípios paraenses que registraram mais mortes acumuladas entre 2014 e julho deste ano foram Belém (1.083 óbitos), Ananindeua (285), Marabá (124), Santarém (84), Castanhal (70), Marituba (61), Bragança (60), Itaituba (57), Tucuruí (47) e Paragominas (39).

Em relação às faixas etárias que predominam estar com a infecção no Pará, estão a que estão entre 20 e 30 anos; 30 e 40 anos e de 50 a 60 anos. No período de 2014 a 2017 houve uma redução de mais de 4,8% no coeficiente de mortalidade no Pará, que passou de 8,2 para 7,8 óbitos por 100 mil habitantes. O mais recente boletim epidemiológico de HIV/Aids emitido pelo Ministério da Saúde, em dezembro do ano passado, mostrou o ranking das Unidades da Federação (UF) referente às taxas de detecção de Aids: os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina apresentaram as maiores taxas, com valores de 34,7 e 31,9 casos por cada 100 mil habitantes.

Nesse relatório, o Pará configurou como o segundo lugar na Região Norte, cuja liderança de casos é do Amazonas. No ranking nacional, encontra-se em quinto lugar com valor de 25 casos por cada 100 mil habitantes.

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